A Associação Brasileira de Antropologia (ABA), por meio de seu Comitê Estudos Africanos, Comitê Migrações e Descolamentos e Comissão de Direitos Humanos, manifesta sua profunda preocupação diante dos recentes episódios de violência e hostilidade dirigidos contra migrantes e refugiados na África do Sul.
Reconhecendo as histórias compartilhadas e as profundas conexões entre os países do Sul Global, vemos com preocupação os episódios de violência que vem ocorrendo na África do Sul.
As migrações e deslocamentos fazem parte da história mundial. A xenofobia, qualquer que seja sua origem ou contexto, representa uma grave violação dos direitos humanos e viola princípios fundamentais da dignidade humana, compromete a convivência democrática e desrespeita a diversidade, desestruturando as sociedades pluralistas.
A história sul-africana evidencia como diferentes formas de discriminação e exclusão produziram profundas desigualdades sociais, econômicas e políticas. As tensões contemporâneas relacionadas às migrações e ao acesso a trabalho, moradia e serviços públicos precisam ser compreendidas em sua complexidade histórica e estrutural, sem que isso possa, em qualquer circunstância, justificar a violência contra pessoas migrantes e refugiadas.
No contexto sul-africano, diversos estudos têm chamado atenção para o caráter especificamente afrofóbico dessas violências, que atingem de forma desproporcional migrantes e refugiados africanos em situação de maior vulnerabilidade, por meio de práticas de vigilância, intimidação e restrição do acesso a serviços públicos, especialmente nas áreas de saúde e educação.
Reafirmamos nosso compromisso com a defesa dos direitos humanos, da livre circulação de pessoas, da proteção de populações em situação de vulnerabilidade e do combate a todas as formas de racismo, xenofobia e discriminação.
Manifestamos nossa solidariedade às vítimas da violência e às comunidades afetadas, bem como às pesquisadoras e aos pesquisadores, organizações da sociedade civil e instituições sul-africanas que atuam na promoção do diálogo, da justiça social e da defesa dos direitos fundamentais.
Neste momento, reiteramos a importância de fortalecer respostas públicas comprometidas com a proteção da vida, o enfrentamento da violência e a construção de sociedades fundadas no respeito à diversidade, na igualdade e na democracia.
Brasília, 06 de julho de 2026.
Associação Brasileira de Antropologia (ABA); seu Comitê Estudos Africanos; seu Comitê Migrações e Descolamentos; e sua Comissão de Direitos Humanos
