Apresentação

A Associação Brasileira de Antropologia (ABA) é a mais antiga das associações científicas existentes no país na área das ciências sociais, ocupando hoje um papel de destaque na condução de questões relacionadas às políticas públicas referentes à educação, à ação social e à defesa dos direitos humanos. No decorrer de sua história, a ABA tem estado atenta, crítica e criativa no fazer antropologia, estando também atuante em defesa dos direitos das minorias étnico-raciais e de pessoas e segmentos discriminados, posicionando-se consistentemente contra iniquidades e injustiça social. Sua atuação política tem sido caracterizada por uma incansável busca pela realização dos direitos humanos. Seu Código de Ética exige respeito aos povos e populações estudadas e obriga a pessoa pesquisadora a deixar evidenciados seus objetivos de pesquisa para os grupos e populações que integram seu campo de estudos.

A primeira Reunião Brasileira de Antropologia (RBA) foi realizada no Museu Nacional do Rio de Janeiro, no ano de 1953, embora a ABA só tenha sido fundada por ocasião da 2ª RBA, acontecida em Salvador, no dia 08 de julho de 1955. Importante registrar que uma Reunião Brasileira de Antropologia já estava sendo planejada desde o início do ano de 1948, quando o Ministro da Educação e Saúde designou, por meio de portaria datada de 20 de fevereiro daquele mesmo ano, uma comissão integrada por Álvaro Fróes da Fonseca, Edgard Roquette Pinto, Arthur Ramos e Heloisa Alberto Torres, para planejar o “Primeiro Congresso Brasileiro de Antropologia”.

A ABA conta, desde 2004, com a revista acadêmica VIBRANT (Virtual Brazilian Anthropology) e desde 2014, com a revista eletrônica Novos Debates. Conta também com um informativo eletrônico periodicamente distribuído entre a comunidade associada.  Uma atualização das ações desenvolvidas pela ABA pode ser assegurada também por meio de sua presença nas principais redes sociais. É importante destacar que a ABA tem atualmente nove prêmios de âmbito nacional que são conferidos por ocasião das RBAs, quais sejam: Prêmio Pierre Verger, Prêmio Lévi-Strauss, Prêmio Direitos Humanos, Prêmio Heloísa Alberto Torres, Prêmio Ensino de Antropologia, Prêmio Divulgação Científica, Prêmio Lélia Gonzalez, Prêmio Mário de Andrade e Prêmio Berta Ribeiro.

A realização das Reuniões Brasileiras de Antropologia foi descontinuada durante o período militar (1964-1985). A 6ª RBA estava programada para ocorrer em 1965, em Brasília/DF. No entanto, o golpe militar de 1964 frustrou essa expectativa. A 7ª RBA só foi realizada em 1966, em Belém/PA, sob o guarda-chuva da Reunião Internacional sobre a Biota Amazônica. Neste encontro, apesar do reduzido número de pessoas que conseguiram ir à Belém/PA, foi possível eleger uma nova diretoria. Em 1971, a ABA reuniu-se no I Encontro Internacional de Estudos Brasileiros, realizado na USP. Durante a Assembleia, verificou-se a impossibilidade da eleição de uma nova diretoria, por falta de quórum. Após oito anos sem eleições as reuniões foram retomadas. Em 1974, realizou-se em Florianópolis/SC, a 9ª RBA. O sucesso desta reunião fez com que fosse considerada como um verdadeiro momento de ressurreição da ABA. Pela primeira vez a reunião contou com a participação de um considerável número de jovens, egressos dos recém-criados cursos de pós-graduação em Antropologia. A partir de 1974, até os dias atuais, as reuniões passaram a ocorrer bianualmente, sempre nos anos pares.

A ABA se consolidou como associação voltada para a discussão crítica do campo da Antropologia, particularmente através da promoção de eventos científicos no Brasil com alcance internacional e da constante busca de manutenção dessa discussão atualizada com aquelas tendências antropológicas em todo o mundo. A ABA tem exercido papel decisivo na formação do campo da Antropologia desde a segunda metade dos anos 1950 e continua a reformular e inovar, com o advento da pós-graduação em Antropologia em fins dos anos 1960, sua consolidação nas décadas de 1980 e 1990 e expansão mais recente ocorrida particularmente em princípios do segundo milênio, sem que jamais tenha abdicado de exercer seu papel de participação e condução de ações políticas e sociais. Nestas duas primeiras décadas do século XXI, a ABA tem se permitido ser interpelada e dado passos largos em direção à pluralização de si, abrigando toda uma diversidade, inclusive étnico-racial, em suas diretorias e conselho científico.
 
A qualidade de seus eventos e reuniões, a regularidade das eleições de suas diretorias e conselho científico, a consolidação de seus comitês e comissões de assessoramento à diretoria e a renovação constante de seus objetivos e seriedade na conduta dos assuntos antropológicos conquistaram espaço e reconhecimento significativos da comunidade acadêmica e científica. Tanto assim que as Reuniões Brasileiras de Antropologia fazem parte da Agenda de Eventos da CAPES, do CNPq e de Fundações de Pesquisa de alguns Estados da Federação. Ao longo de todos esses anos, o apoio da Fundação Ford também tem sido crucial para a realização de várias atividades científicas da ABA. A ABA hoje é uma associação robusta e fortalecida também pelo compromisso ético e responsabilidade política que mantem com as comunidades com as quais interage no fazer Antropologia.
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