Manifestamos nosso repúdio e preocupação com os recentes ataques vindos do campo antidemocrático brasileiro que deslegitimam o trabalho científico sobre igrejas e cristianismos no Brasil. Diante das tentativas de constranger pesquisadores e organizações da sociedade civil por meio de desinformação e intimidação, manifestamos nossa solidariedade às pessoas pesquisadoras envolvidas no estudo Fé e voto: um retrato do discurso eleitoral nas igrejas brasileiras, realizado pela More in Common Brasil em parceria com o Grupo de Pesquisa Passagens, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A divulgação dos dados e resultados da pesquisa desencadeou acusações de vigilância, perseguição religiosa e violações éticas, além de uma nota de repúdio da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional. Essas reações são preocupantes quando distorcem os objetivos e os procedimentos da pesquisa para intimidar seus responsáveis. Os ataques estão sendo promovidos por setores da extrema direita contra a comunidade acadêmica e organizações da sociedade civil, incluindo difamação e exposição de estudantes e professores em redes sociais.
A pesquisa analisou exclusivamente gravações de missas e cultos disponibilizadas publicamente pelas próprias instituições religiosas no YouTube. Não houve invasão de espaços privados, interceptação de comunicações ou monitoramento de atividades reservadas. Investigar manifestações públicas de lideranças religiosas é uma prática legítima de produção de conhecimento, não um ataque à liberdade religiosa. Questionamentos metodológicos são legítimos e necessários; ataques que distorcem evidências e ameaçam a autonomia da pesquisa, não.
A liberdade acadêmica na universidade pública, a autonomia das instituições de pesquisa e o direito à produção e à circulação do conhecimento são pilares da democracia e devem ser protegidos contra toda forma de intimidação política.
Manifestamos nosso apoio às equipes envolvidas e reafirmamos nosso compromisso com a liberdade científica, o debate público plural e a defesa das instituições democráticas.
Assinam esta nota:
Associações científicas:
Associação Brasileira de Antropologia (ABA)
Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
Associação Brasileira de Ciências (ABC)
Associação Brasileira para Pesquisa e História das Religiões (ABHR)
Associação de Cientistas Sociais da Religião do Mercosul (ACSRAL)
Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS)
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Teologia e Ciências da Religião (ANPTECRE)
Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS)
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)
Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (SOTER)
Organizações da sociedade civil:
Casa Galileia
Coletivo Beréia
Instituto de Estudos da Religião – ISER
Núcleos de pesquisa:
Grupo de Pesquisa Comunicação e Religiões da Sociedade Brasileira de Estudos em Comunicação (INTERCOM)
Grupo de Pesquisa Karuara: Saberes, Cosmopolíticas, Modos de Vida, Paisagens e Ontologias das
Religiões na Amazônia – UEPA
Laboratório de Antropologia da Religião (LAR) – UNICAMP
Laboratório de Estudos de Religião e Política (LABERP) – FUNDAJ/UFPE
Laboratório de Estudos Socioantropológicos em Política, Arte e Religião (LEPAR) – UFF
Núcleo de Estudos da Religião (NER) – UFRGS
Núcleo de Estudos de Religião “Carlos Rodrigues Brandão” (NER) – UFG
Núcleo de Estudos da Religião (NUER) – UERJ
Núcleo de Estudos de Religião, Economia e Política (NEREP) – UFSCar
Observatório de Cultura, Religiosidades e Emoções (OCRE) – UFPE
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