Ao invés de assumir a arte e a religião como domínios distantes, o livro Arte e Religião: passagens, cruzamentos, embates esmiúça as contaminações recíprocas entre formas, repertórios e modos de fazer tecnicamente “encantados”, mostrando-se uma importante contribuição ao assunto. Organizado por Emerson Giumbelli e Fernanda Arêas Peixoto, o volume reúne oito capítulos e enfrenta o desafio de pensar as relações entre práticas artísticas e religiosas em contextos etnográficos precisos. Colocando-se no “entre” e zonas limítrofes, as análises fazem ver modos de existência da religião fora de controles e molduras institucionais, bem como outras formas de ser da arte, que se multiplicam em manifestações diversas, além da “alta cultura”, de gêneros e espaços canonicamente estabelecidos. Ao final da leitura, nota-se como a publicação oferece perspectivas originais, capazes de flagrar passagens inusitadas, emaranhados e embates múltiplos. Como assinala a Introdução ao volume, "as relações entre arte e religião na modernidade envolvem lógicas e intercâmbios mais complexos do que a simples oposição pode fazer supor".